Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Assim todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça. Karl Marx.

Pesquisar este blog

terça-feira, 12 de maio de 2009

VIRADA RUSSA!!


NÃO PERCA, NÃO PERCA, NÃO PERCA:

Lá no Centro Cultural de Banco do Brasil (CCBB) podemos ver, pela primeira vez, a exposição Virada Russa: A Vanguarda na Coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo. Que está nas galerias 1 e 2.

Tem muita coisa MARAVILHOSA, boa parte do acervo do State Russian Museum – o museu que reúne a maior coleção de arte russa no mundo.

Trata-se maior e mais significativa exposição já realizada no Brasil sobre o tema, com 123 peças que marcaram o movimento artístico e cultural ocorrido durante a primeira fase da Revolução Russa, entre as décadas 1890 e 1930.

As obras expressam várias vertentes como o Não-Objetivismo e, principalmente, o Suprematismo e o Construtivismo.

Entre as raridades estão clássicos como Promenade, de Chagall, que representa um momento mais lírico dentro do surrealismo, e os três quadros de Malevitch, que marcam o começo do verdadeiro rigor geométrico na pintura – a cruz, o quadrado e o círculo negro sobre um fundo branco.

As obras de Kandinsky – como Igreja Vermelha, Cruz Azul e São George II, presentes na mostra – marcam o ponto de partida para a pintura abstrata.


Qualquer um DEVE ir, e além de poder ver obras de tirar o folêgo de perto é tudinho de graça tem até ônibus também free à disposição- coisa muy fina.


Horário: De 7 de abril a 7 de junho. De terça-feira a domingo, das 9h às 21h.
Endereço: CCBB Brasília – SCES, Trecho 2 Conjunto 22

Informações: 3310-7087

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Tô lendo o livro Tête-à-Tête, uma biografia da Beauvoir e do Sartre. Amo biografias, tanto que até já escrevi uma. Espiar a vida alheia é uma fixação, um deleite da humanidade- daí essas Caras/Contigo da vida serem fenômenos de vendas. Mas voltando à boa literatura e a espiar a vida de quem vale a pena, o livro é gostoso de ler mesmo sendo parte da tese de doutorado da autora, ele não tem aqueles academicismos chatos, é denso sem ser pesado e tem pesquisa de folêgo.
Sem dúvida, Beauvoir e Sartre, são um dos casais mais lendários do mundo. E o interessante nesses dois é que marcaram o século XX não somente como livre-pensadores e intelectuais engajados, mas também pelo amor sem fronteiras que pregaram.

Ler biografias é legal pq vamos lembrando o que já lemos/vimos do biografado. Apesar de assumirem o amor livre e sem amarras, os dois só deixaram contar a maior parte de seus casos depois de mortos com as publicações de suas correspondências. Tantas surpresas..Simone por exemplo, que nunca admitiu em vida romances com outras mulheres contou infinidade deles em seus relatos publicados depois que se foi. Inclusive dividiu muitas com ele. Sartre também instruiu publicações sobre sua vida sexual somente após a morte. Ele, considerado por muito(a)s um chauvinista, realmente nunca respeitou nenhuma de suas amantes-que foram muitas. Sempre bem mais jovens e belas. Parecia que queria driblar a feiúra e a idade...

Lembrei também da Fernanda Montenegro, no " Arte com Sérgio Britto" falando de suas percepções sobre a Simone. Disse a Fernandona que quando estava encenando textos da feminista, as perguntas que se seguiam eram sempre sobre o arrebatador romance da Simone com o americano Algren. As pessoas não se conformavam de como um homem que a fazia gozar múltiplas vezes- palavras dela, era bonito, mais jovem e não era machista como Sartre fora "largado" por ela que voltou para Jean-Paul, que estava velho, cheio de manias e não fazia mais sexo com ela.
Buenas, fiquei pensando, é difícil para um homem ou mulher que vive a "nossa" pós-modernidade da vida do espetáculo e do simulacro, entender essa ação de Simone. Eles eram existencialistas, homens que ainda acreditavam na ação do indivíduo, o homem ERA suas AÇÕES.
Trocar uma máquina de sexo por um que não faz mais nem isso? O mundo hoje não entende pq damos mais valor a "barriga-tanquinho", a mulher gostosa- um homem quando quer ofender fala das gorduras, feiura, idade, ...de uma mulher. A mulher da masculinidade/virilidade do cara. Mais pós-moderno impossível...
Simone trocou o viril pelo velho, pq amava nele coisas mais profundas, tipo a construção de uma vida de debates e trocas de 50 anos...
Amanhã continuo pq a Raquel tá me chamando...

terça-feira, 5 de maio de 2009


Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!


sábado, 2 de maio de 2009

Dora


Ah! Uma ótima notícia: o Nilson vai ser papai novamente!! Ele sempre quis ter uma menina..Lindo nome que eles escolheram - Dora: curto, sonoro, forte.
Lembrei da personagem do Capitães da areia do Amado. Tenho que confessar que não gosto muito da literatura do cara mas esse livro e essa personagem me marcaram tanto que até adaptei uma versão pro teatro nos idos dos 80 lá no RS. Claro que fui a Dora, densa que só ela...
Mas a Dora do Nilson é por causa da vó dele, que vale um post só dela -outro dia eu escrevo. Ela nasceu, viveu e morreu sempre na mesma rua. Isso mesmo, ela nunca saiu da rua em que nasceu..doido,né?
Nini, agora que és meu leitor aqui já tem um post pra Dora. Chique, hein?
Que venha com muita saúde!!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

É uma maravilha ser colorada!!


Tricolor fazer festa antes do grenal = normal.
Índio enfiar mais um no Grêmio = normal.
Colorado ganhar o grenal = normal.
Colorado desclassificar o tricolor num campeonato = normal.
Vitória do Inter derrubar técnico da Azenha = normal.
Torcida do Grêmio quebrar o Olímpico de raiva = normal.
Direção azul completamente desorientada = normal.
Ver o Colorado ganhar mais um grenal histórico: o "Grenal do Centenário" = ESPECIAL.
P.S: Torcida do Inter comemorar depois do jogo = normal.

sábado, 4 de abril de 2009

Desconstruindo Brasília



Com essa onda das comemorações dos 50 anos de Brasília comecei a refletir um pouco mais sobre como foi a contrução da cidade. Para tanto fui atrás de informações sobre esses homens e mulheres que vieram para cá, principalmente do nordeste, para servir de mão de obra na empreitada.

Em dezembro de 1956, um mês após a aprovação, pelo Congresso, da lei que determinava a transferência da capital, 300 pessoas já haviam chegado ao local onde seria erguida a cidade. Um mês depois, eram mil. No mês seguinte, 2.500. Em 1959 os migrantes chegaram a 60 mil. A obra seria imensa e a ganância dos construtores maior ainda. O sonho de ter uma vida nova e mais digna foi vendida a muitos brasileiros para que estes viessem trabalhar na inóspita terra da nova capital.

As jornadas de trabalho eram sobre-humanas, como pagavam pouquíssimo, os operários faziam jornadas de 20 horas diárias para poderem ganhar um pouco mais. Também não havia nenhuma infra-estrutura nem preocupação com logística de transportes, fizeram-se acampamentos perto das obras para que as construtoras não tivessem ônus com condução nem com moradia. A preocupação com qualquer tipo de lazer também inexistia, depois de jornadas árduas de trabalho aliada a saudade de casa e às más condições de moradia, os operários não tinham muitas opções para relaxar e distrairem-se um pouco.

No carnaval de 1959, em um sábado de fevereiro, alguns trabalhadores tentaram ir a Luziânia-GO, para brincarem o carnaval, mas a construtora para qual trabalhavam dificultou ao máximo a liberação de transporte ao local. Os ânimos estavam exaltados. Naquele mesmo dia a comida, que era normalmente intragável, foi servida azeda, com insetos e esparadrapos. Foi a gota d'água para esses homens dilacerados pela injustiça, pela falta de respeito e pelo trabalho insano.

Muitas versões se contam deste dia, uma delas é que após ter sido negado o lazer e ter sido servida comida estragada, alguns operários começaram a quebrar o refeitório, foi então chamada, pelos capatazes da construtora Pacheco Fernandes, a temida GP (Guarda Policial da Novacap) posteriormente GEB-Guarda Especial de Brasília. O comandante pediu que fizessem fila para que os trabalhadores pudessem apanhar "em ordem" e o aviso foi para que atirassem em quem corresse. A confusão foi enorme e como muitos correram espocaram balas para todos os lados.

Para esconder o ocorrido, a GP teria levado os corpos dos que morreram para Formosa em Goiás, no entanto, um ferido escondeu-se no alojamento e foi encontrado morto no dia seguinte.

Na versão oficial foi tido como única vítima do embate.

Depoimentos de alguns dos operários que estavam no levante estão no Arquivo Público do DF, além de existirem trabalhos acadêmicos sobre o assunto e um documentário da UnB. Sabemos que o Brasil foi construído envolto em muita injustiça social e exploração. Mas ouvir relatos de uma jovem cidade- nem 50 anos, onde os trabalhadores que vieram seduzidos por um sonho de Cocanha e paraíso, tenham tido seus piores pesadelos é revoltante. Alguns relatos dizem que alguns corpos foram arrastados por tratores até o buraco da torre de TV e que ali foram enterrados.
São muitas falas sobre um fato terrível que foi calado para não comprometer a inauguração que estava próxima.

Eu quero comemorar os 50 anos de Brasília- que agora também é minha casa- mas quero que seja com transparência e que sejam homenageados aqueles que realmente construiram essa capital.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Poetas loucos de cara. 1ª parte: Qorpo Santo


Qorpo-Santo, pseudônimo de José Joaquim de campos Leão, foi um brilhante dramaturgo gaúcho que ficou esquecido por cem anos, quando descobriu-se um autor oiriginal, de perspectiva moderna e olhar crítico. Alguns estudiosos dizem ser ele o precursor do Teatro do Absurdo, mas segundo o professor Eudinyr Fraga, as peças estão mais próximas do surrealismo de André Breton, autor do Manifesto Surrealista, do que do absurdo de Eugène Ionesco. Um dos argumentos é a presença das divagações dos chamados ‘‘fluxos de consciência’’, método que aparece no surrealismo do início do século 20 como ‘‘automatismo psíquico puro’’. A enxurrada de palavras aparece em diferentes textos, entre os quais As Relações Naturais. Mas também há elementos do absurdo. ‘‘Ele criou comédias totalmente nonsense em pleno século 19. Tem esse mérito e um valor artístico inegável’’, afirma a pesquisadora Denise Espírito Santo, organizadora do Poesia — Qorpo-Santo (1999).

Foi professor primário em escolas públicas, fixando-se na capital da província. Também chegou a exercer a função de delegado de polícia. Em 1862, as autoridades escolares passam a suspeitar de sua sanidade mental, e Qorpo-Santo é obrigado a internar-se. Em 1868 é considerado inapto para continuar lecionando e também para a administração de seus bens e família.

Em jornal que ele mesmo funda, A Justiça, protesta veementemente contra a decisão da justiça, que o torna inapto. No mesmo período cria a de Ensiqlopédia qorposantense, composta de nove volumes, súmula do seu pensamento e de suas idéias. Nelas habitam vários poemas, reflexões, sobre política, moral, ética jornalística, anúncios, bilhetes, máximas, um amontoado caótico sem nenhuma preocupação com a organização. Dos noves volumes que foram editados nos idos de 1870, apenas seis são conhecidos.

Abordou temas ousados para o XIX, tais como: o incesto, o homossexualismo, o adultério. Seus personagens, tanto homens, como mulheres, são sujeitos presos em contradições terríveis, amparados por uma atmosfera caótica e profundamente demarcada por situações de injustiça e angústia.

Qorpo-Santo rompeu com os padrões da época e chocou a provinciana Porto Alegre.